sexta-feira, 16 de julho de 2010

Acima de todas as coisas

por Amanda Montavanelli

Algumas vezes, somos surpreendidos por sentimentos. É como se eles invadissem a sua privacidade, entrassem, baagunçassem a casa e nem cumprimentassem você. Muito mais do que uma sensação de melancolia, muito mais... Uma invasão desordenada, a ponto de confundir bem e mal, querer e não querer, chorar e sorrir. Confunde.

Nosso coração não foi projetado para viver sozinho, livre de invasões e incertezas. Não foi criado para nos fazer integralmente seguros certos do "sim" ou do "não". Mas então, como entender? Em um momento certo, em outro confuso. Como explicar para alguém a incrível facilidade de ser invadido por sentimentos que, inconscientemente, cultivo?

Estranho a possobilidade real de cultivar algo que não quero; a falta que sinto daquilo que não devo, a dor por estar diante do que não é necessário, a submissão ao pouco que recebo, a impulsão pelo errado, a fala não pensada, a busca incansável pela satisfação própria a qualquer custo, a perda de confiança, as medidas remediadas.
Meu coração não devia estar sobre todas as coisas. Esse é o lugar de outra pessoa.

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