quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Mais que mais um dia

por Daniel Soares

Agora o relógio do meu computador marca, exatamente, 01:26 da manhã.
O que o texto conta aconteceu faz umas três semanas, mas decidi escrever só agora, ás 01:26 da manhã. Calma, não é nada extraordinário.

Enfim, eu estava na estação de trem do Méier esperando o ônibus pra poder voltar pra casa depois de ter ido tirar uns documentos. Já sem agüentar um gato pelo rabo, peguei o primeiro ônibus que passa perto da minha casa e que, por acaso, já estava no ponto; um da linha 680. Como grande parte de vocês deve saber, os ônibus dessa linha têm uma tremenda fama de demora e desorganização. Naquele dia não foi diferente. Mal foi eu me sentar quando o fiscal no ponto disse ao motorista pra que ele aguardasse mais vinte minutos no ponto porque, segundo ele, o mesmo estava muito adiantado no horário. Nesse momento, muitos dos que estavam no ônibus começaram a gritar tanto com o fiscal quanto com o motorista, reclamando e, outros, querendo arranjar confusão mesmo.
Dois minutinhos depois, outro ônibus, da mesma linha, parou logo atrás do ônibus onde eu estava. Imediatamente, todos no ônibus se levantaram e exigiram ao motorista que os deixasse sair e ao fiscal que os deixassem entrar sem pagar no outro ônibus. Eu, por outro lado, fiquei sentado, imóvel, no mesmo lugar onde eu havia sentado antes, enquanto todo o resto das pessoas descia do ônibus. O motorista ainda arriscou algumas palavras e me disse que eu poderia descer, mas preferi esperar ali mesmo, contando apenas com a minha própria companhia. Afinal, o que eu menos queria naquele momento era gente “tumultuadeira” falando no meu ouvido.

Eu estava esperando (com gosto) o tempo passar e o ônibus sair quando avistei uma igreja que fica bem ali em frente á estação. Não me lembro o nome do ministério, mas lembro bem da placa que a igreja trazia bem na fachada: “Seja bem-vindo! Nós amamos você!”. Eu ri um bocado com a frase. Mesmo. Conclui que aquela era uma maneira horrível para atrair qualquer um pra dentro daquela igreja.
As pessoas não entendem o Amor de Deus. Imagine uma pessoa que você nunca viu mais gorda na sua vida, te dizer logo de cara que te ama. Isso afugenta qualquer um. Além disso, as pessoas não estão preocupadas com o amor. Na verdade, elas estão sempre apressadas, preocupadas com o próximo compromisso, com a próxima tarefa ou com o próximo momento de “falta do que fazer”. Sempre exigindo coisas de motoristas e fiscais na pura e simples ignorância e “trogloditagem” total e completa, sem nem se lembrar que eles estão somente fazendo o seu trabalho.

“E pra que, na verdade? Afinal, tenho um compromisso importantíssimo para o qual não posso me atrasar e um ‘por favor’ e um ‘obrigado’ são proibidos em casos como o meu. Que se exploda o motorista. Eu estou atrasado. Eu tenho um compromisso. Eu não tenho o que fazer em casa, mas preciso chegar lá agora. Eu, eu, EU!”
...
...

Mudou de idéia quanto à frase na fachada da igreja? É, eu também.
Depois que parei pra pensar e percebi como as pessoas precisam do Amor de Deus, vi que a frase na igreja estava mais do que bem colocada ali naquele local.

O mundo é egoísta. O mundo é intolerante. O mundo é estúpido. O mundo é individualista. O mundo é egocêntrico e mais um tanto de coisas legais como essas que eu poderia continuar listando até meu processador superaquecer, mas, o que importa escrever agora, é que nem tudo está perdido. Nós temos em nós o amor que esse mundo precisa. Nós temos em nós o conteúdo que preenche os vazios desse mundo. Nós temos em nós a salvação para esse mundo. Tudo o que precisamos fazer é apresentar ao mundo tudo isso o que temos a oferecer.
Não se omita enquanto um pisa na cabeça do outro lá fora. Mostre ao mundo a razão de você estar aqui. Mostre ao mundo a salvação. Mostre ao mundo o caminho que, por acaso, é também a verdade e a vida.

Agora chega por hoje. O relógio do meu computador já está marcando 02:12 da manhã...

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