quarta-feira, 11 de abril de 2012

Coluna do Batata - O cão daltônico

por Paulo Batata

Boa tarde, queridíssimos prateados. Esta semana, enquanto rebuscando em meu vasto leque de conhecimentos diversos tentando chegar á uma conclusão sobre dizer que um careca tem couro cabeludo, recebi mais uma carta de mais um indivíduo ávido por esclarecimentos a respeito de seus intrigantes problemas. A seguir, segue uma transcrição fiel da carta do querido Alcebíades, de Nova Iguaçu, que chegou até minhas mãos.

"Boa tarde, Dr. Paulo Batata.
Meu nome é Alcebíades Tenório, tenho 15 anos e moro em Ponto Chic, Nova Iguaçu.
O meu problema, doutor, é um fato que muito tem me entristecido. Tenho um cachorro, chiuaua, chamado Gengis Khan. Dou a ele tudo de bom e do melhor: ração importada, compras de roupinhas e acessórios no melhor Pet Shop aqui do bairro, levo para passear duas vezes ao dia e até três vezes nos finais de semana, enfim, dou todo o amor e carinho, mas tem determinadas horas, que sinto que o mesmo não retribui todo esse amor.

Aqui em casa, todos somos tricolores de coração. Eu, meu pai, minha mãe e minhas duas irmãs torcemos pelo Fluminense. Já o meu avô, de 86 anos, é torcedor do Madureira (o Tricolor Suburbano), pois segundo ele, na juventude ele jogou com um tal de Telê Santana (isso lá é nome de jogador? Telê?). É justamente nessa hora, em que nós nos reunimos na sala para assistir o nosso Fluminense, em percebo que todos estão vidrados na tela da TV, exceto, claro, meu avô e ele: Gengis Khan.

Ele sempre fica ao meu lado, mas na hora mais importante do dia ou da semana, ele fica lá, inexpressivo diante da TV. Contudo, o mesmo não ocorre quando ao passear com ele, passo diante a casa de um vizinho meu, botafoguense. Ele fica vidrado, imóvel diante daquele “timinho” sem graça e monocromático.

Será que o meu cão tem algum problema de visão? Seria ele daltônico? Dr. Paulo Batata, como faço para converter o meu cachorro? Mostrá-lo que ele está indo de encontro a harmonia familiar?

Sinceramente, Alcebíades."

Pois bem, meu Digníssimo Alcebíades, realmente esse não é um caso muito comum, mas há uma explicação totalmente plausível para isso. Mas antes, vamos esclarecer um fato. Esse “tal” de Telê Santana, que o seu avô teve o privilégio de conhecer e jogar ao lado é tido como um dos maiores técnicos do futebol brasileiro (que o diga o pessoal do São Paulo Futebol Clube), ou seja, ele sabe das coisas! Mas vamos ao seu caso.

Pois bem, essa atitude do seu cão Gengis Khan diante do time do Botafogo tem um porquê e não é pelo fato dele ser daltônico, mas muito pelo contrário. Comecei a observar tal comportamento, depois de assistir alguns jogos do Botafogo ao lado do cachorro do Thiaguinho, meu amigo (pra deixar bem claro, estou falando do cão dele e não dele, o Thiaguinho, deu pra entender?). Reuni-me com um grupo de amigos e estudiosos para estudar o caso: Carlos Maurício, Xandão, Marinho, Andrey - meu intrépido sobrinho - e o Pr. Élio Portela, para dar um embasamento maior nas questões eclesiásticas que por ventura pudessem surgir. Infelizmente, por compromissos pré-agendados (assistir ao emocionante Campeonato Estadual de Bocha, na Praça Armando Cruz, em Madureira) e medo de manchar sua reputação, este declinou do convite.
Para início de conversa, descobrimos o quanto é difícil manter um cão na mesma posição durante um exame oftalmológico, mas mesmo assim, bravos e destemidos como somos, averiguamos que eles não são daltônicos, como a maioria de nós pensava. Eles não vêem tantas cores quanto os humanos, mas distinguem mais do que simplesmente preto e branco.

Os cães tem dois tipos de células na retina, chamada de cones. Os cones reconhecem o comprimentos de ondas de luz. Os humanos têm três cones, portanto nós vemos um número maior de cores. É possível que os cães confundam tonalidades de verde e vermelho, o que é um tipo de visão semelhante a dos humanos daltônicos para verde e vermelho. Para chegarmos a essa conclusão, nós ensinamos um grupo de cachorros a reconhecer cores, mas eles, com freqüência, confundiam o verde e o vermelho. Também lançamos raios de luz nos olhos dos nossos voluntariosos caninos e analisamos os padrões de luz refletidos e tais resultados foram comparados com os padrões produzidos pelas mesmas luzes nos olhos humanos, o que nos levou a concluir que assistir aos jogos do Clube da Estrela Solitária é muito mais fácil para os cães do que as fashions camisas do Tricolor das Laranjeiras.

Espero lhe ter ajudado nessa dúvida que aparentava lhe corroer por dentro, caríssimo Alcebíades. Agradeço por ter procurado meus humildes conhecimentos. Sem mais, dê lembranças ao Gengis.

Um comentário:

  1. HAHAHA coitado do Gengis Khan!

    Só não entendi muito bem a parte que diz: "... as fashions camisas do Tricolor das Laranjeiras." ¬¬'

    haha

    Ficou bem legal, Batata!

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